novos professores
contratados, estava pronta para começar o ano letivo. Mas
com o advento da guerra, as escolas de língua japonesa foram
proibidas de funcionar e os bens dos japoneses (isseis), congelados.
Assim, a filial da escola Taisho Shogakko suspendeu seus cursos
e os bens foram passados para o nome de Washizo Sugayama. Findo
o conflito e devido à idade, Sugayama propôs que esses
bens fossem transferidos para outra pessoa.
Surge nesse momento uma lacuna. Quem poderia arcar com tal responsabilidade?
Foi pensando nessa questão que se começou a viabilizar
o entendimento entre três setores: a Associação
dos Moços de Pinheiros, os membros da Federação
de Atletismo do Brasil e os estudantes universitários nisseis.
A Associação dos Moços de Pinheiros já
tinha grande tradição, fundada por Masanosuke Sakamoto
e Genzo Hara, em 13 de agosto de 1933, devido à crescente
afluência de imigrantes japoneses no bairro. E a Zempaku Rikujô
Renmei (Federação de Atletismo do Brasil), desde 1931,
promovia campeonatos envolvendo entidades nipo-brasileiras e, depois
da interrupção das atividades durante a guerra, buscava
a sua reestruturação.
Quanto aos estudantes nisseis, nos idos de 49 havia um número
razoável deles na capital paulista. Provenientes do interior,
a maioria estudava em faculdades públicas, como a Universidade
de São Paulo, principalmente nos cursos voltados para as
áreas de exatas e biológicas. Um grupo de universitários,
inclusive, mantinha um curso preparatório para o vestibular
na rua Pirapitingui, no bairro da Liberdade. Preocupados com as
condições de inserção do nissei na sociedade,
eles haviam realizado algumas caravanas culturais - que se tornariam
mais tarde um dos grandes projetos da Acep ao longo de muitos anos
- para levar informações técnicas, culturais
e esclarecimentos aos nisseis que continuavam trabalhando na agricultura
nos mais recônditos locais.
Desse momento particular, surgiram as primeiras indicações
para se formar uma associação como uma organização
cultural ampla, alicerçada na força dos nisseis e,
com isso, alcançar-se, de um lado, os objetivos estabelecidos
na ocasião da construção da antiga escola;
e, de outro, propiciar aos nisseis um centro cultural aberto à
comunidade.
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A
Escola Primária Taisho,
antes do Piratininga |
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O bairro de Pinheiros,
distante cerca de 7 quilômetros do Centro da cidade de São
Paulo, desde o inicio do século passado teve importante papel
como centro de distribuição de produtos agrícolas
do lado Oeste da cidade.
Com a linha de bonde ligando o bairro com o Centro desde 1905, para
os japoneses que vinham carregados de batatas produzidas no subúrbio
próximo à vila Cotia, Pinheiros era a porta de entrada
para o centro urbano, situação essa que se consolidou
com a fundação da Cooperativa Agrícola de Cotia
em 1927 e a construção de sua sede no Largo da Batata,
além da abertura de lojas comerciais de japoneses. Tadahide
Misumi, na edição comemorativa dos 35 anos do "Pinheiros
Bunka Shinbokukai", escreve que, a partir de 1940, anualmente
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aumentava o número de japoneses que saíam do
interior do Estado de São Paulo e se fixavam no bairro.
Em conseqüência do aumento de imigrantes japoneses
na região, no dia 13 de agosto de 1933, liderada por
Masanosuke Sakamoto e Genzo Bara, foi fundada a primeira associação
japonesa do bairro, a Pinheiros Seinen Kai (Associação
dos Moços de Pinheiros), cujas primeiras reuniões
foram realizadas na Academia de Judô "Shobu Kan",
de Tomioki Tomikawa, na rua Pinheiros.
Em 1936, continua Misumi, a comunidade
local iniciou um dos mais ambiciosos projetos educacionais,
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embora reunisse somente
50 a 60 famílias de origem japonesa e a situação
financeira não fosse "das mais confortáveis".
Rememorando as anotações de Kinjiro 1nagaki, um dos
líderes do grupo interessado em levar adiante esse projeto,
Misumi descreve a determinação de seus companheiros:
"Diziam os moradores: se eles não pudessem comer arroz
cozido com cevada, comeriam mingau ralo de arroz, mas todos concordariam
erguendo as mãos para a construção de uma escola
nova. Mas era desejável terem a escola e poderem comer arroz
cozido com cevada".
"O entusiasmo dos pais com relação à educação
dos filhos era enorme, e com o espírito determinado de se
destituir de tudo em prol da educação, conseguiram
arrecadar 36 contos de contribuição." Nas anotações
de Kinjiro Inagaki, entre os colaboradores (além dele) constam
os nomes de Etsuzo Takahashi, Miyohei Higashi, Tameyo Tomikawa,
Motoi Furuzawa, Satoru Chikugo, Tsuneyoshi Ishii, Goro Nakahara,Akito |
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Ogawa, Masatoshi Komaki e Masahei Harada.
O terreno em mira localizava-se numa travessa sem nome da
rua Cláudio Soares, de 5 mil metros quadrados, e custava
80 contos - preço demasiadamente alto comparado ao
valor arrecadado. No entanto, a capacidade de arrecadação
dos japoneses da região já chegara ao limite.
Para se ter uma idéia desse valor, indica Misumi, uma
passagem de bonde ou um cafezinho valia um tostão,
ou seja, 100 réis e, no caso, 80 contos seria algo
como 80 mil réis.
O impasse foi contornado graças à proposta de
Etsuo Takahashi de colocar os 2 mil metros quadrados do terreno
à venda e destinar 3 mil metros quadrados restantes
para o projeto da escola. Assim, no dia 4 de dezembro de 1937
foi registrada a compra desse terreno por 48 contos, situado
no primeiro quarteirão da rua Valério de Carvalho. |
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| "Com
relação a essa despesa, uma vez que foram arrecadados
aproximadamente 36 contos, não se sabe o que teria acontecido
para cobri-la. Não sei se um grupo de pessoas teria feito
a doação ou, quem sabe, alguém teria pago adiantado
ou coberto a despesa do outro", escreve Misumi. "Mesmo
os manuscritos de Inagaki não mencionam diretamente sobre
isso. O que se sabe é que o governo japonês se preocupava
com a situação econômica e o meio de vida dos
imigrantes, principalmente quando se tratava de problemas educacionais
e Nihon Gakko (escola japonesa). Concretamente, a não ser
dados obscuros, não há nada que revele quanto era
essa quantia em dinheiro. É verdade que a Casa Imperial Japonesa
fez a sua doação aos moradores, que ficaram extremamente
gratos", continua o texto. Destacam-se ainda as contribuições
fornecidas pelas entidades japonesas de São Paulo.
Haruno Ito, um dos mais antigos moradores de Pinheiros (chegou em
1940) e amigo de Kinjiro Inagaki, conta que essa despesa fora coberta
pelo governo japonês que destinava verba para construção
e funcionamento das escolas japonesas. "E foi justamente por
conta disso que essa escola foi registrada como sendo uma filial
da Taisho Shogakko. Na realidade, a iniciativa da fundação
da escola tinha sido dos moradores de Pinheiros. Mas, para poder
receber a verba oficial, apelou-se para a ajuda formal da Taisho
Shogakko", conta Ito.
A escola Taisho foi criada em 1914 na rua Conde de Sarzedas, no
bairro da Liberdade. Foi oficializada em 1915, obtendo o reconhecimento
como escola primária e contratando a professora Antonia Santos
para as aulas de português. Em 1929, ela mudou para um prédio
localizado na rua São Joaquim, onde hoje funciona a Sociedade
Brasileira de Cultura Japonesa.
Em Pinheiros, Misumi descreve que foi projetada uma escola de dois
andares: no térreo, três salas de aula e sala da diretoria
e, acima, o auditório e o banheiro. "Não há
dados exatos para a construção - sabe-se que a carpintaria
foi feita por um tal de Adachi e o pedreiro era um tal de Isidoro",
afirma, ressaltando que as obras progrediam muito lentamente, já
que o dinheiro era escasso.
Em 1939, com 80% da obra concluída, começaram as aulas
ministradas pelo casal Matao Tanaka, professores vindos de Bastos.
Mas, desde 1938, o local havia se tornado ponto de encontro de jovens
que faziam parte do Pinheiros Seinen Kai e também a sede
principal onde, aos domingos, suavam suas camisas carpindo o campo
para a prática de esportes. Com a chegada do casal Tanaka,
em 1939, foi criado o curso noturno de português, a cargo
da professora Yoneka Sakata, e incentivadas as atividades esportivas
e culturais.
Mas as dificuldades para a finalização das obras da
escola pareciam não terminar. E eram tantas que "as
janelas do salão, na parte superior do prédio, permaneceram
sem vidros e a parede externa ficou, desgraçadamente, sem
reboque, com tijolos à mostra, conservando-se os andaimes
à espera da continuidade das obras", descreve Kinjiro
Inagaki, num dos seus apontamentos datados de agosto de 1955.
Conta Inagaki que, "por volta dos anos 39 para 1940, os andaimes
continuavam no mesmo lugar e já haviam até recebido
intimação da fiscalização municipal,
devido ao perigo que representava". Ressalta que o próprio
diretor, Matao Tanaka, já havia reiterado esse pedido aos
administradores da escola (do qual Inagaki fazia parte), já
que o material, "exposto por longo tempo às intempéries,
estava apresentando perigo às crianças que brincavam
por perto ou se dependuravam nas tábuas. Mas, mesmo compreendendo
a precariedade da época, a situação econômica
era tal que não se tinha meio de atender a essas despesas".
Graças aos esforços dos moradores da região
e a ajuda pessoal do cônsul-geral do Japão, Saga Sakane,
foi possível retirar o andaime. Conta-se que o cônsul,
em inspeção rotineira à escola, ficou tão
impressionado com a situação precária que tirou
dinheiro do próprio bolso. Com isso, também foi possível
fazer o reboque da parede. Assim, nesse "prédio, reluzente
de branco", escreve Inagaki, estava pronto para iniciar oficialmente
o ano letivo, em março de 1941, da Escola Pinheiros - Sucursal
do Taisho Gakko, agora com novos professores contratados, regularmente
habilitados de conformidade com as leis de ensino estabelecidas
pelo governo Getúlio Vargas. Com isso, continua Inagaki,
concretizava-se a aspiração dos moradores da região
de "proporcionar às crianças uma educação
consubstanciada na expressão "wakon hakusai" (espírito
japonês habilitação brasileira), ou seja, o
ensino da língua portuguesa calcada nos princípios
da educação japonesa.
Em janeiro de 1941, com a obra pronta, era hora de festejar. Relembra
Inagaki: "A beleza irradiante do majestoso prédio de
dois andares, branco calcário, iluminado ao sol do Ano Novo,
jamais sairá da minha lembrança. Não consigo,
absolutamente, expressar, por escrito, a suprema felicidade daquele
dia, daquela hora. Basta imaginar o sr. Sugayama (um dos dirigentes),
tão forte e encorpado, chorando copiosamente. Na expectativa
do ano letivo, foi realizado no pátio da escola, no dia 17
de março, um grandioso undokai (gincana poliesportiva), comemorando
o total apoio dos moradores japoneses, sendo o momento mais emocionante
quando todos, pais e filhos, de mãos dadas, derramando lágrimas
de alegria, repetiam "que bom, que bom".
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| As regras do universo |
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“As mudanças
são as regras do universo”, anuncia Inagaki, antes
de começar a tratar sobre o grande revés sofrido pela
escola, somente dez meses depois de iniciadas as aulas. Em dezembro
daquele ano de 1941, o Japão começou a guerra no Pacífico
e, no ano seguinte, o Brasil entrou para o bloco dos Aliados e passou
a impor restrições aos súditos dos países
do Eixo. Assim, lamenta, "o sonho de ontem se fora de todo".
Diante da nova realidade, continua, "o nosso entendimento era
de que todas as organizações japonesas seriam necessariamente
fechadas, bem como, também, encerrado o ensino nas escolas
japonesas". Em março de 1942, a escola foi fechada e,
como ocorreu com a Associação dos Japoneses de São
Paulo (São Paulo Nihonjinkai), a entidade de apoio (Kôenkai)
também foi dissolvida.
E, como medida de emergência, tal como havia sido feito com
a matriz da escola Taisho Shogakko - em que os bens, como forma
de salvaguarda, foram transferidos para particulares (os professores
Sakata e Nishie) -, o terreno e o prédio de Pinheiros também
foram passados para pessoa física, no caso para Washizo Sugayama.
Assim, o prédio, incluindo móveis e utensílios,
passou a ser usado como pensionato para bolsistas, sendo que a incumbência
de administrá-lo ficou com o próprio Sugayama (presidente)
e os tesoureiros Akito Ogawa e Kinjiro Inagaki. O diretor continuou
sendo Matao Tanaka.
Haruno Ito conta que o letreiro do prédio indicava Curso
Preparatório para Ginásio, mas, confessa, "num
pequeno cômodo que havia atrás da escola foram ministradas
aulas de japonês por algum tempo, mas era muito arriscado
e acabaram desistindo".
Terminada a guerra em 1945, quatro anos depois começaram
a surgir indícios da possibilidade de haver a assinatura
do tratado de paz entre Brasil e Japão. Cogitava-se, assim,
reiniciar o ensino de língua japonesa, "quando Sugayama,
alegando que já estava prestes a completar 70 anos de idade
e receando que em caso de algum imprevisto poderia causar transtornos
à comunidade, solicitou a transferência das responsabilidades
à pessoa devidamente designada".
De acordo com a narração de Inagaki, foi solicitada
a presença dos antigos diretores da entidade, que "compreenderam
a situação e também acordaram que a entidade
sucessora só poderia ser aquela constituída de acordo
com as leis vigentes no País". O problema é que
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ela ainda não existia e, portanto, seria necessário
"pensar-se na constituição de uma nova
entidade". Poderia ser uma pequena organização
capaz de prestar serviços a uma pequena comunidade.
Ou, então, uma de maior amplitude que pudesse oferecer
facilidades para um grande número de beneficiários.
"Nesta última concepção, seria uma
organização cultural ampla, alicerçada
na força dos nisseis, e, com isso, alcançar-se,
de um lado, os objetivos estabelecidos por nós na ocasião
da construção da escola; e, de outro, propiciar
aos nisseis um centro cultural aberto amplamente à
comunidade, aspiração de há muito acalentada
por eles", escreve Inagaki. |
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Idéia aceita, de
certo modo, e, em maio de 1949, foi convocada uma reunião
entre os moradores do bairro de Pinheiros e os membros do Kôenkai.
Ainda vivendo o rescaldo das dissidências do kachigumi* e
makegumi*, as discussões acabavam se deslocando para outros
assuntos, surgiam opiniões disparatadas, sem se chegar a
uma conclusão. No final, foi acordado que uma proposta mais
concreta deveria ser apresentada e a diretoria estaria incumbida
de "elaborar o plano de fundar-se uma entidade jurídica
que tivesse os nisseis como núcleo".
Genzo Hara (ex-diretor do departamento de moços do Kôenkai)
foi o primeiro a ser convocado. Empenhado na reconstrução
da Zempaku Rikujô Renmei (Federação de Atletismo
do Brasil), ele foi consultado sobre a possibilidade de constituir
uma entidade cultural forte tendo a participação não
só da Federação de Atletismo, como também
de outras organizações e de entidades estudantis de
nisseis.'
Uma vez obtida a sua anuência, o próprio Genzo Hara
teve o total poder para tratar do assunto com outras entidades favoráveis
a essa idéia. Assim, juntamente com Hiroshi Yamamoto, colaborador
na tarefa de reconstituição da Federação
de Atletismo, conseguiu-se
|
| arregimentar
um bom número de colaboradores, envolvendo não
somente os companheiros do atletismo, mas, também,
de outras organizações relacionadas ao esporte.
Entre esses colaboradores estavam os universitários
Tetsuaki Misawa e Issao Nishi.
Inagaki conta que Misawa e Nishi, "considerando que chegara
o momento de se conseguir aquilo que, por anos, os estudantes
de São Paulo estavam almejando, manifestaram inteiro
apoio à iniciativa". Assim, tomando por base o
Curso Cosmos (localizado na rua Pirapitingui, no bairro da
Liberdade), esses dois conseguiram a adesão de grande
número dos estudantes nisseis.
Em junho de 1949, continua Inagaki, foi convocada a primeira
reunião ampla com representantes dos moços de
Pinheiros, membros da Federação de Atletismo
e dos estudantes nisseis para montar-se a comissão
preparatória da fundação de uma nova
entidade. Sugayama, nomeado representante dos administradores
da Escola de Pinheiros desde 1942, foi encarregado de apresentar
as explicações a respeito da constituição
da nova entidade. Solicitou o empenho de todos e, realmente,
essa postura foi imprescindível - o consenso foi conseguido
somente sete meses depois, em janeiro de 1950. “Todos
emprestaram o melhor de suas capacidades, com o máximo
de esforço de tolerância para a concretização
da nova organização”, analisa Inagaki.
No mês seguinte, dia 26 de fevereiro de 1950, no salão
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da
escola, tendo à frente Sugayama, 30 pessoas estiveram
reunidas para a fundação da Associação
Cultural e Es portiva Piratininga.
Registraram presença: Washizo Sugayama, Akito Ogawa,
Kinjiro Inagaki, Genzo Hara, Hiroshi Yamamoto, Tetsuaki Misawa,
Issao Nishi, Masahiro Yoshimoto, Tsutomu Murakami, Hiroshi
Urushima, Nobuo Murakami, Tadashi Takenaka, Yoshii Yogo, Shiro
Kiyono, Takeshi Suzuki, Iéhiji Uchiyama, Yoshio Oda,
Yuuichi Yamate, Tsugio Hatanaka, Shigueo Watanabe, Antonio
Yoshimoto, Tamaki, Sadao Kayano, Chinya Asahina, Hisao Momoi,
Mário Kasawara, Yasuo Kono, Mitomu Shimomura, Tatsuo
Okoshi e Hiroharu Akiyama.
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| Sucessão de pai para filho |
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Inagaki, em seu
texto, afirma que somente depois de cerca de um ano desde a fundação
da Associação Cultural e Esportiva Piratininga, após
“certa estabilização de opiniões”,
em março de 1951, é que foi convocada uma nova reunião
dos moradores de Pinheiros.
Depois de “apresentado o relatório minucioso dos fatos
ocorridos desde a reunião precedente, foi submetida a plenário
a proposta de se delegar a administração da escola
para a Associação Cultural e Esportiva Piratininga”.
Como ocorreu na primeira reunião, algumas pessoas se manifestaram
contrárias à proposta, embora sem apresentar razões
consistentes, avalia Inagaki, ressaltando que isso fazia “antever
dificuldades no desfecho da reunião”.
Felizmente, a explicação dos lideres foi suficiente
para convencer a maioria: “a proposta era entregar a administração
da escola a uma entidade formada para a consecução
dos objetivos propostos de administração e educação
dos nisseis”. Não se tratava, “de uma entrega
pura e simples a uma entidade existente ou à pessoa física
sem qualquer vínculo com o bairro de Pinheiros”. E
mais: “a entrega para a Associação Cultural
e Esportiva Piratininga seria a única saída para a
situação, e essa ação se equivaleria
à sucessão de pai para filho”.
Assim, com a aprovação e confirmação
da Associação Cultural e Esportiva Piratininga como
responsável pela administração total da escola,
foi aprovada pela maioria absoluta a proposta de transferência
do terreno e do prédio, bem como de todas as instalações
existentes que se encontravam em nome de Washizo Sugayama. Esse
ato aconteceu no dia 22 de março de 1951, às 22h30.
Posteriormente, ao se iniciarem os procedimentos de transferência
dos bens, Sugayama, representando a vontade unânime dos moradores
de Pinheiros, apresentou Associação Cultural e Esportiva
Piratininga os três pontos que foram aceitos unanimemente
pelos diretores da entidade:
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| Foto comemorativa
da fundação da Associação
Cultural e Esportiva Piratininga em 26 fevereiro de 1950.
1 - Okamura
(jornalista)
2 - Takeshi Suzuki
3 - Yoshimoto
4 - Tatsuo Okochi
5 - Washizu Sugayama
6 - Tadashi Takenaka
7 - Yoshii Yogo
8 - Koji Akiyama
9 - Kinjiro Inagaki
10 - Issao Nishi
11 - Tetsuaki Misawa
12 - Kenzo Hara
13 - Akito Ogawa
14 - Ichiji Uchiyama
15 - Tsutomu Murakami
16 - Kawano
17 - Mário Kasawara
18 - Hirai
19 - Hiroshi Urushima
20 - Hisao Momoi
21 - Chinya Asahina
22 - Hiroshi Yamamoto
23 - Nakaya
24 - Sadao Kayano
25 - Tamaki
26 - Tsugio Hatanaka
27 - Masahiro Yoshimoto
28 - Yuuichi Yamate
29 - Shiro Kiyono
30 - Shigueo Watanabe
31 - Yoshio Oda
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| 1
- Os objetivos societários da Associação
Cultural e Esportiva Piratininga não poderão
ser modificados para sempre.
2 - O terreno e o prédio não poderão
ser vendidos ou cedidos a outrem.
3 - Em caso de força maior e inevitabilidade de sua
dissolução, os citados bens devem ser doados,
integralmente, à entidade beneficente, não podendo
haver apropriação pela Associação.
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De acordo com Inagaki,
“esses três itens deveriam constar do contrato de transferência,
mas em virtude de a diferença dos montantes da escritura
de cessão e a de compra e venda ser demasiadamente grande,
optou-se pela forma de compra e venda, e os referidos itens acima
deixaram de constar do texto da escritura".
Informa ainda que, “por ocasião da elaboração
da escritura, da tesouraria dos administradores foi pago o montante
de 82 contos de réis referentes às despesas de escritura
de cessão, incluindo-se aí o imposto de sucessão
que incidiu devido ao falecimento da esposa do sr. Sugayama, ocorrido
em 1946”.
Acrescenta que, “em 1955, com a dissolução da
Kôenkai, o saldo de 4 contos e 962,50 mil réis foi
doado à Associação Cultural e Esportiva Piratininga
a título de manutenção dos bens, encerrando-se,
dessa maneira, os trabalhos de prestação de contas
referentes à Escola de Pinheiros - Sucursal do Taisho Gakko".
No encerramento desse documento, um registro profético de
Kinjiro Inagaki: “Tendo como divisor das águas o término
da Segunda Guerra Mundial, a era dos ‘samurais’ da primeira
geração, que desde a chegada ao Brasil se dedicaram
ao desbravamento, ao trabalho do eito com as suas enxadas e foices,
ficou para trás, passando-se ao tempo dos jovens nisseis,
cheios de idealismo e esperança na era da paz. É a
eles que desejamos, nesta oportunidade, que se esforcem, galguem
e atinjam a glória e leguem aos vindouros melhores lugares.”
“Que esta glória esteja sempre junto ao nome da Associação
Cultural e esportiva Piratininga. É o desejo não só
deste que assina a presente nota, mas também, acredito, a
aspiração de todos os isseis. É com esta convicção
que a escrevo. Em agosto de 1955. Kinjiro Inagaki.”
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* N.R - Dos
tempos obscuros da Segunda Guerra Mundial, em que os meios de comunicações
estiveram censurados e depois proibidos de circular, a comunidade
nipo-brasileira chega dividida ao final do conflito do Pacífico.
De um lado, o grupo conhecido como "kachigumi", liderado
por imigrantes que acreditavam na vitória do Japão.
De outro lado, os "makegumi" que acreditavam na derrota
do Japão.
Essa cisão marcou profundamente a comunidade, provocando
debates acalorados, acusações, violências ftsicas
e assassinatos, como também influiu diretamente na reorganização
das entidades e dos eventos culturais, sociais e esportivos.
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