ACE Piratininga
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  História do Clube  
     
 
Uma nova associação
em Pinheiros

A Associação Cultural e Esportiva Piratininga foi fundada em 26 de fevereiro de 1950, e sua criação esteve ligada a fatos e momentos muito peculiares da trajetória da comunidade nikkei no Brasil. O lugar em que hoje se encontra o prédio da Acep foi filial da Taisho Shogakko (a mais antiga e importante escola voltada aos filhos de imigrantes japoneses na cidade de São Paulo). Em 1939, com 80% da obra concluída, começaram as aulas ministradas pelo casal Matao Tanaka. A escola havia sido erguida com grande esforço dos moradores japoneses de Pinheiros. Depois de sanados alguns problemas de infra-estrutura, em 1941, com novos professores contratados, estava pronta para começar o ano letivo. Mas com o advento da guerra, as escolas de língua japonesa foram proibidas de funcionar e os bens dos japoneses (isseis), congelados.
Assim, a filial da escola Taisho Shogakko suspendeu seus cursos e os bens foram passados para o nome de Washizo Sugayama. Findo o conflito e devido à idade, Sugayama propôs que esses bens fossem transferidos para outra pessoa.
Surge nesse momento uma lacuna. Quem poderia arcar com tal responsabilidade? Foi pensando nessa questão que se começou a viabilizar o entendimento entre três setores: a Associação dos Moços de Pinheiros, os membros da Federação de Atletismo do Brasil e os estudantes universitários nisseis. A Associação dos Moços de Pinheiros já tinha grande tradição, fundada por Masanosuke Sakamoto e Genzo Hara, em 13 de agosto de 1933, devido à crescente afluência de imigrantes japoneses no bairro. E a Zempaku Rikujô Renmei (Federação de Atletismo do Brasil), desde 1931, promovia campeonatos envolvendo entidades nipo-brasileiras e, depois da interrupção das atividades durante a guerra, buscava a sua reestruturação.
Quanto aos estudantes nisseis, nos idos de 49 havia um número razoável deles na capital paulista. Provenientes do interior, a maioria estudava em faculdades públicas, como a Universidade de São Paulo, principalmente nos cursos voltados para as áreas de exatas e biológicas. Um grupo de universitários, inclusive, mantinha um curso preparatório para o vestibular na rua Pirapitingui, no bairro da Liberdade. Preocupados com as condições de inserção do nissei na sociedade, eles haviam realizado algumas caravanas culturais - que se tornariam mais tarde um dos grandes projetos da Acep ao longo de muitos anos - para levar informações técnicas, culturais e esclarecimentos aos nisseis que continuavam trabalhando na agricultura nos mais recônditos locais.
Desse momento particular, surgiram as primeiras indicações para se formar uma associação como uma organização cultural ampla, alicerçada na força dos nisseis e, com isso, alcançar-se, de um lado, os objetivos estabelecidos na ocasião da construção da antiga escola; e, de outro, propiciar aos nisseis um centro cultural aberto à comunidade.


 
 
A Escola Primária Taisho,
antes do Piratininga
 
O bairro de Pinheiros, distante cerca de 7 quilômetros do Centro da cidade de São Paulo, desde o inicio do século passado teve importante papel como centro de distribuição de produtos agrícolas do lado Oeste da cidade.
Com a linha de bonde ligando o bairro com o Centro desde 1905, para os japoneses que vinham carregados de batatas produzidas no subúrbio próximo à vila Cotia, Pinheiros era a porta de entrada para o centro urbano, situação essa que se consolidou com a fundação da Cooperativa Agrícola de Cotia em 1927 e a construção de sua sede no Largo da Batata, além da abertura de lojas comerciais de japoneses. Tadahide Misumi, na edição comemorativa dos 35 anos do "Pinheiros Bunka Shinbokukai", escreve que, a partir de 1940, anualmente aumentava o número de japoneses que saíam do interior do Estado de São Paulo e se fixavam no bairro.
Em conseqüência do aumento de imigrantes japoneses na região, no dia 13 de agosto de 1933, liderada por Masanosuke Sakamoto e Genzo Bara, foi fundada a primeira associação japonesa do bairro, a Pinheiros Seinen Kai (Associação dos Moços de Pinheiros), cujas primeiras reuniões foram realizadas na Academia de Judô "Shobu Kan", de Tomioki Tomikawa, na rua Pinheiros.

Em 1936, continua Misumi, a comunidade local iniciou um dos mais ambiciosos projetos educacionais, embora reunisse somente 50 a 60 famílias de origem japonesa e a situação financeira não fosse "das mais confortáveis". Rememorando as anotações de Kinjiro 1nagaki, um dos líderes do grupo interessado em levar adiante esse projeto, Misumi descreve a determinação de seus companheiros: "Diziam os moradores: se eles não pudessem comer arroz cozido com cevada, comeriam mingau ralo de arroz, mas todos concordariam erguendo as mãos para a construção de uma escola nova. Mas era desejável terem a escola e poderem comer arroz cozido com cevada".
"O entusiasmo dos pais com relação à educação dos filhos era enorme, e com o espírito determinado de se destituir de tudo em prol da educação, conseguiram arrecadar 36 contos de contribuição." Nas anotações de Kinjiro Inagaki, entre os colaboradores (além dele) constam os nomes de Etsuzo Takahashi, Miyohei Higashi, Tameyo Tomikawa, Motoi Furuzawa, Satoru Chikugo, Tsuneyoshi Ishii, Goro Nakahara,Akito Ogawa, Masatoshi Komaki e Masahei Harada.
O terreno em mira localizava-se numa travessa sem nome da rua Cláudio Soares, de 5 mil metros quadrados, e custava 80 contos - preço demasiadamente alto comparado ao valor arrecadado. No entanto, a capacidade de arrecadação dos japoneses da região já chegara ao limite. Para se ter uma idéia desse valor, indica Misumi, uma passagem de bonde ou um cafezinho valia um tostão, ou seja, 100 réis e, no caso, 80 contos seria algo como 80 mil réis.
O impasse foi contornado graças à proposta de Etsuo Takahashi de colocar os 2 mil metros quadrados do terreno à venda e destinar 3 mil metros quadrados restantes para o projeto da escola. Assim, no dia 4 de dezembro de 1937 foi registrada a compra desse terreno por 48 contos, situado no primeiro quarteirão da rua Valério de Carvalho.

"Com relação a essa despesa, uma vez que foram arrecadados aproximadamente 36 contos, não se sabe o que teria acontecido para cobri-la. Não sei se um grupo de pessoas teria feito a doação ou, quem sabe, alguém teria pago adiantado ou coberto a despesa do outro", escreve Misumi. "Mesmo os manuscritos de Inagaki não mencionam diretamente sobre isso. O que se sabe é que o governo japonês se preocupava com a situação econômica e o meio de vida dos imigrantes, principalmente quando se tratava de problemas educacionais e Nihon Gakko (escola japonesa). Concretamente, a não ser dados obscuros, não há nada que revele quanto era essa quantia em dinheiro. É verdade que a Casa Imperial Japonesa fez a sua doação aos moradores, que ficaram extremamente gratos", continua o texto. Destacam-se ainda as contribuições fornecidas pelas entidades japonesas de São Paulo.
Haruno Ito, um dos mais antigos moradores de Pinheiros (chegou em 1940) e amigo de Kinjiro Inagaki, conta que essa despesa fora coberta pelo governo japonês que destinava verba para construção e funcionamento das escolas japonesas. "E foi justamente por conta disso que essa escola foi registrada como sendo uma filial da Taisho Shogakko. Na realidade, a iniciativa da fundação da escola tinha sido dos moradores de Pinheiros. Mas, para poder receber a verba oficial, apelou-se para a ajuda formal da Taisho Shogakko", conta Ito.
A escola Taisho foi criada em 1914 na rua Conde de Sarzedas, no bairro da Liberdade. Foi oficializada em 1915, obtendo o reconhecimento como escola primária e contratando a professora Antonia Santos para as aulas de português. Em 1929, ela mudou para um prédio localizado na rua São Joaquim, onde hoje funciona a Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa.
Em Pinheiros, Misumi descreve que foi projetada uma escola de dois andares: no térreo, três salas de aula e sala da diretoria e, acima, o auditório e o banheiro. "Não há dados exatos para a construção - sabe-se que a carpintaria foi feita por um tal de Adachi e o pedreiro era um tal de Isidoro", afirma, ressaltando que as obras progrediam muito lentamente, já que o dinheiro era escasso.
Em 1939, com 80% da obra concluída, começaram as aulas ministradas pelo casal Matao Tanaka, professores vindos de Bastos. Mas, desde 1938, o local havia se tornado ponto de encontro de jovens que faziam parte do Pinheiros Seinen Kai e também a sede principal onde, aos domingos, suavam suas camisas carpindo o campo para a prática de esportes. Com a chegada do casal Tanaka, em 1939, foi criado o curso noturno de português, a cargo da professora Yoneka Sakata, e incentivadas as atividades esportivas e culturais.
Mas as dificuldades para a finalização das obras da escola pareciam não terminar. E eram tantas que "as janelas do salão, na parte superior do prédio, permaneceram sem vidros e a parede externa ficou, desgraçadamente, sem reboque, com tijolos à mostra, conservando-se os andaimes à espera da continuidade das obras", descreve Kinjiro Inagaki, num dos seus apontamentos datados de agosto de 1955.
Conta Inagaki que, "por volta dos anos 39 para 1940, os andaimes continuavam no mesmo lugar e já haviam até recebido intimação da fiscalização municipal, devido ao perigo que representava". Ressalta que o próprio diretor, Matao Tanaka, já havia reiterado esse pedido aos administradores da escola (do qual Inagaki fazia parte), já que o material, "exposto por longo tempo às intempéries, estava apresentando perigo às crianças que brincavam por perto ou se dependuravam nas tábuas. Mas, mesmo compreendendo a precariedade da época, a situação econômica era tal que não se tinha meio de atender a essas despesas".
Graças aos esforços dos moradores da região e a ajuda pessoal do cônsul-geral do Japão, Saga Sakane, foi possível retirar o andaime. Conta-se que o cônsul, em inspeção rotineira à escola, ficou tão impressionado com a situação precária que tirou dinheiro do próprio bolso. Com isso, também foi possível fazer o reboque da parede. Assim, nesse "prédio, reluzente de branco", escreve Inagaki, estava pronto para iniciar oficialmente o ano letivo, em março de 1941, da Escola Pinheiros - Sucursal do Taisho Gakko, agora com novos professores contratados, regularmente habilitados de conformidade com as leis de ensino estabelecidas pelo governo Getúlio Vargas. Com isso, continua Inagaki, concretizava-se a aspiração dos moradores da região de "proporcionar às crianças uma educação consubstanciada na expressão "wakon hakusai" (espírito japonês habilitação brasileira), ou seja, o ensino da língua portuguesa calcada nos princípios da educação japonesa.
Em janeiro de 1941, com a obra pronta, era hora de festejar. Relembra Inagaki: "A beleza irradiante do majestoso prédio de dois andares, branco calcário, iluminado ao sol do Ano Novo, jamais sairá da minha lembrança. Não consigo, absolutamente, expressar, por escrito, a suprema felicidade daquele dia, daquela hora. Basta imaginar o sr. Sugayama (um dos dirigentes), tão forte e encorpado, chorando copiosamente. Na expectativa do ano letivo, foi realizado no pátio da escola, no dia 17 de março, um grandioso undokai (gincana poliesportiva), comemorando o total apoio dos moradores japoneses, sendo o momento mais emocionante quando todos, pais e filhos, de mãos dadas, derramando lágrimas de alegria, repetiam "que bom, que bom".
 
As regras do universo
 
“As mudanças são as regras do universo”, anuncia Inagaki, antes de começar a tratar sobre o grande revés sofrido pela escola, somente dez meses depois de iniciadas as aulas. Em dezembro daquele ano de 1941, o Japão começou a guerra no Pacífico e, no ano seguinte, o Brasil entrou para o bloco dos Aliados e passou a impor restrições aos súditos dos países do Eixo. Assim, lamenta, "o sonho de ontem se fora de todo".
Diante da nova realidade, continua, "o nosso entendimento era de que todas as organizações japonesas seriam necessariamente fechadas, bem como, também, encerrado o ensino nas escolas japonesas". Em março de 1942, a escola foi fechada e, como ocorreu com a Associação dos Japoneses de São Paulo (São Paulo Nihonjinkai), a entidade de apoio (Kôenkai) também foi dissolvida.
E, como medida de emergência, tal como havia sido feito com a matriz da escola Taisho Shogakko - em que os bens, como forma de salvaguarda, foram transferidos para particulares (os professores Sakata e Nishie) -, o terreno e o prédio de Pinheiros também foram passados para pessoa física, no caso para Washizo Sugayama. Assim, o prédio, incluindo móveis e utensílios, passou a ser usado como pensionato para bolsistas, sendo que a incumbência de administrá-lo ficou com o próprio Sugayama (presidente) e os tesoureiros Akito Ogawa e Kinjiro Inagaki. O diretor continuou sendo Matao Tanaka.
Haruno Ito conta que o letreiro do prédio indicava Curso Preparatório para Ginásio, mas, confessa, "num pequeno cômodo que havia atrás da escola foram ministradas aulas de japonês por algum tempo, mas era muito arriscado e acabaram desistindo".
Terminada a guerra em 1945, quatro anos depois começaram a surgir indícios da possibilidade de haver a assinatura do tratado de paz entre Brasil e Japão. Cogitava-se, assim, reiniciar o ensino de língua japonesa, "quando Sugayama, alegando que já estava prestes a completar 70 anos de idade e receando que em caso de algum imprevisto poderia causar transtornos à comunidade, solicitou a transferência das responsabilidades à pessoa devidamente designada".
De acordo com a narração de Inagaki, foi solicitada a presença dos antigos diretores da entidade, que "compreenderam a situação e também acordaram que a entidade sucessora só poderia ser aquela constituída de acordo com as leis vigentes no País". O problema é que ela ainda não existia e, portanto, seria necessário "pensar-se na constituição de uma nova entidade". Poderia ser uma pequena organização capaz de prestar serviços a uma pequena comunidade. Ou, então, uma de maior amplitude que pudesse oferecer facilidades para um grande número de beneficiários.
"Nesta última concepção, seria uma organização cultural ampla, alicerçada na força dos nisseis, e, com isso, alcançar-se, de um lado, os objetivos estabelecidos por nós na ocasião da construção da escola; e, de outro, propiciar aos nisseis um centro cultural aberto amplamente à comunidade, aspiração de há muito acalentada por eles", escreve Inagaki. Idéia aceita, de certo modo, e, em maio de 1949, foi convocada uma reunião entre os moradores do bairro de Pinheiros e os membros do Kôenkai. Ainda vivendo o rescaldo das dissidências do kachigumi* e makegumi*, as discussões acabavam se deslocando para outros assuntos, surgiam opiniões disparatadas, sem se chegar a uma conclusão. No final, foi acordado que uma proposta mais concreta deveria ser apresentada e a diretoria estaria incumbida de "elaborar o plano de fundar-se uma entidade jurídica que tivesse os nisseis como núcleo".
Genzo Hara (ex-diretor do departamento de moços do Kôenkai) foi o primeiro a ser convocado. Empenhado na reconstrução da Zempaku Rikujô Renmei (Federação de Atletismo do Brasil), ele foi consultado sobre a possibilidade de constituir uma entidade cultural forte tendo a participação não só da Federação de Atletismo, como também de outras organizações e de entidades estudantis de nisseis.'
Uma vez obtida a sua anuência, o próprio Genzo Hara teve o total poder para tratar do assunto com outras entidades favoráveis a essa idéia. Assim, juntamente com Hiroshi Yamamoto, colaborador na tarefa de reconstituição da Federação de Atletismo, conseguiu-se arregimentar um bom número de colaboradores, envolvendo não somente os companheiros do atletismo, mas, também, de outras organizações relacionadas ao esporte. Entre esses colaboradores estavam os universitários Tetsuaki Misawa e Issao Nishi.
Inagaki conta que Misawa e Nishi, "considerando que chegara o momento de se conseguir aquilo que, por anos, os estudantes de São Paulo estavam almejando, manifestaram inteiro apoio à iniciativa". Assim, tomando por base o Curso Cosmos (localizado na rua Pirapitingui, no bairro da Liberdade), esses dois conseguiram a adesão de grande número dos estudantes nisseis.
Em junho de 1949, continua Inagaki, foi convocada a primeira reunião ampla com representantes dos moços de Pinheiros, membros da Federação de Atletismo e dos estudantes nisseis para montar-se a comissão preparatória da fundação de uma nova entidade. Sugayama, nomeado representante dos administradores da Escola de Pinheiros desde 1942, foi encarregado de apresentar as explicações a respeito da constituição da nova entidade. Solicitou o empenho de todos e, realmente, essa postura foi imprescindível - o consenso foi conseguido somente sete meses depois, em janeiro de 1950. “Todos emprestaram o melhor de suas capacidades, com o máximo de esforço de tolerância para a concretização da nova organização”, analisa Inagaki.
No mês seguinte, dia 26 de fevereiro de 1950, no salão
da escola, tendo à frente Sugayama, 30 pessoas estiveram reunidas para a fundação da Associação Cultural e Es portiva Piratininga.
Registraram presença: Washizo Sugayama, Akito Ogawa, Kinjiro Inagaki, Genzo Hara, Hiroshi Yamamoto, Tetsuaki Misawa, Issao Nishi, Masahiro Yoshimoto, Tsutomu Murakami, Hiroshi Urushima, Nobuo Murakami, Tadashi Takenaka, Yoshii Yogo, Shiro Kiyono, Takeshi Suzuki, Iéhiji Uchiyama, Yoshio Oda, Yuuichi Yamate, Tsugio Hatanaka, Shigueo Watanabe, Antonio Yoshimoto, Tamaki, Sadao Kayano, Chinya Asahina, Hisao Momoi, Mário Kasawara, Yasuo Kono, Mitomu Shimomura, Tatsuo Okoshi e Hiroharu Akiyama.
 
Sucessão de pai para filho
 
Inagaki, em seu texto, afirma que somente depois de cerca de um ano desde a fundação da Associação Cultural e Esportiva Piratininga, após “certa estabilização de opiniões”, em março de 1951, é que foi convocada uma nova reunião dos moradores de Pinheiros.
Depois de “apresentado o relatório minucioso dos fatos ocorridos desde a reunião precedente, foi submetida a plenário a proposta de se delegar a administração da escola para a Associação Cultural e Esportiva Piratininga”. Como ocorreu na primeira reunião, algumas pessoas se manifestaram contrárias à proposta, embora sem apresentar razões consistentes, avalia Inagaki, ressaltando que isso fazia “antever dificuldades no desfecho da reunião”.
Felizmente, a explicação dos lideres foi suficiente para convencer a maioria: “a proposta era entregar a administração da escola a uma entidade formada para a consecução dos objetivos propostos de administração e educação dos nisseis”. Não se tratava, “de uma entrega pura e simples a uma entidade existente ou à pessoa física sem qualquer vínculo com o bairro de Pinheiros”. E mais: “a entrega para a Associação Cultural e Esportiva Piratininga seria a única saída para a situação, e essa ação se equivaleria à sucessão de pai para filho”.
Assim, com a aprovação e confirmação da Associação Cultural e Esportiva Piratininga como responsável pela administração total da escola, foi aprovada pela maioria absoluta a proposta de transferência do terreno e do prédio, bem como de todas as instalações existentes que se encontravam em nome de Washizo Sugayama. Esse ato aconteceu no dia 22 de março de 1951, às 22h30.
Posteriormente, ao se iniciarem os procedimentos de transferência dos bens, Sugayama, representando a vontade unânime dos moradores de Pinheiros, apresentou Associação Cultural e Esportiva Piratininga os três pontos que foram aceitos unanimemente pelos diretores da entidade:
 
Foto comemorativa da fundação da Associação Cultural e Esportiva Piratininga em 26 fevereiro de 1950.

1 - Okamura (jornalista)
2 - Takeshi Suzuki
3 - Yoshimoto
4 - Tatsuo Okochi
5 - Washizu Sugayama
6 - Tadashi Takenaka
7 - Yoshii Yogo
8 - Koji Akiyama
9 - Kinjiro Inagaki
10 - Issao Nishi
11 - Tetsuaki Misawa
12 - Kenzo Hara
13 - Akito Ogawa
14 - Ichiji Uchiyama
15 - Tsutomu Murakami
16 - Kawano
17 - Mário Kasawara
18 - Hirai
19 - Hiroshi Urushima
20 - Hisao Momoi
21 - Chinya Asahina
22 - Hiroshi Yamamoto
23 - Nakaya
24 - Sadao Kayano
25 - Tamaki
26 - Tsugio Hatanaka
27 - Masahiro Yoshimoto
28 - Yuuichi Yamate
29 - Shiro Kiyono
30 - Shigueo Watanabe
31 - Yoshio Oda

 

       
1 - Os objetivos societários da Associação Cultural e Esportiva Piratininga não poderão ser modificados para sempre.
2 - O terreno e o prédio não poderão ser vendidos ou cedidos a outrem.
3 - Em caso de força maior e inevitabilidade de sua dissolução, os citados bens devem ser doados, integralmente, à entidade beneficente, não podendo haver apropriação pela Associação.

 
 
 
De acordo com Inagaki, “esses três itens deveriam constar do contrato de transferência, mas em virtude de a diferença dos montantes da escritura de cessão e a de compra e venda ser demasiadamente grande, optou-se pela forma de compra e venda, e os referidos itens acima deixaram de constar do texto da escritura".
Informa ainda que, “por ocasião da elaboração da escritura, da tesouraria dos administradores foi pago o montante de 82 contos de réis referentes às despesas de escritura de cessão, incluindo-se aí o imposto de sucessão que incidiu devido ao falecimento da esposa do sr. Sugayama, ocorrido em 1946”.
Acrescenta que, “em 1955, com a dissolução da Kôenkai, o saldo de 4 contos e 962,50 mil réis foi doado à Associação Cultural e Esportiva Piratininga a título de manutenção dos bens, encerrando-se, dessa maneira, os trabalhos de prestação de contas referentes à Escola de Pinheiros - Sucursal do Taisho Gakko".
No encerramento desse documento, um registro profético de Kinjiro Inagaki: “Tendo como divisor das águas o término da Segunda Guerra Mundial, a era dos ‘samurais’ da primeira geração, que desde a chegada ao Brasil se dedicaram ao desbravamento, ao trabalho do eito com as suas enxadas e foices, ficou para trás, passando-se ao tempo dos jovens nisseis, cheios de idealismo e esperança na era da paz. É a eles que desejamos, nesta oportunidade, que se esforcem, galguem e atinjam a glória e leguem aos vindouros melhores lugares.”
“Que esta glória esteja sempre junto ao nome da Associação Cultural e esportiva Piratininga. É o desejo não só deste que assina a presente nota, mas também, acredito, a aspiração de todos os isseis. É com esta convicção que a escrevo. Em agosto de 1955. Kinjiro Inagaki.”
 
* N.R - Dos tempos obscuros da Segunda Guerra Mundial, em que os meios de comunicações estiveram censurados e depois proibidos de circular, a comunidade nipo-brasileira chega dividida ao final do conflito do Pacífico.
De um lado, o grupo conhecido como "kachigumi", liderado por imigrantes que acreditavam na vitória do Japão. De outro lado, os "makegumi" que acreditavam na derrota do Japão.
Essa cisão marcou profundamente a comunidade, provocando debates acalorados, acusações, violências ftsicas e assassinatos, como também influiu diretamente na reorganização das entidades e dos eventos culturais, sociais e esportivos.

 

 
 

 

 


 
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